Nada pela metade


Trabalho cada dia num canto. Então os horários são loucos. Tem dias que saio muito cedo, alguns em horário comercial “normal”, tem semana inteira que fico fora da cidade, às vezes tenho atividades pra desenvolver de casa, em períodos críticos viro a noite trabalhando e em muitos dias minha programação é transformada de repente. É sempre um malabarismo conseguir fazer todas as coisas que precisam ser feitas e as que quero fazer. 

Tem algo que não consigo fazer direito? Sim. Sou perfeita não. Nunca faltar às aulas de música é uma meta na qual insisto. Fazer atividade física com disciplina é um sonho a alcançar (porque só correr é pouco com o avançar dos anos). E tem outros zilhões de coisas que estão na minha agenda: algumas recebem mais ou menos atenção, mas escolhi priorizar as coisas que não podem ser adiadas. Fazer parte da vida dos meus filhos o máximo, dentro das minhas possibilidades, é a prioridade. Reafirmo que faço o possível, sem abrir mão de coisas que também são básicas na minha vida como trabalhar e sair sem eles de vez em quando, por exemplo. E claro, as "super-mães" e "super-donas-de-casa" fazem fila para me criticar.

Acho que a qualidade do tempo que se passa junto é bem mais importante que a quantidade. Quando estou com eles, eu realmente estou inteira com eles. 

Não fico o dia inteiro no salão curtindo fofocas inúteis, eu cuido da unha quando eles estão dormindo, mas não me nego a ir com meus pequenos jogar bola no campo, sábado de manhã. E é impagável cada sorriso e comemoração que fazem em meio ao suor, bochechas rosadas e gritos de realização, a admiração dos meus assobios. 

Eles amam pintar, brincar com tinta, pintamos juntos, fazemos aquela bagunça e depois dá-lhe banho de mangueira se o dia estiver quente. Se é hora do videogame, estou lá. E deixo a pia cheia de vasilhas pra ser cuidada mais tarde. Se o convite é pra cair na piscina, não importa se acabei de fazer escova no cabelo, me jogo com eles. Estão crescendo tão rápido! A escova eu poderei fazer até na velhice, mas esses momentos são únicos. E essas lembranças vão estar comigo até lá, vivas, completas.

A alegria com que os vejo contar das brincadeiras que a mãe deles participa me renova as forças. Ver o orgulho que têm da mãe que eles respeitam e admiram é como colocar ar mais potente nos meus pulmões.

Não sei mesmo viver metades. O tempo que tenho com eles, é só deles. Doar-me pra quem eu amo me faz um bem! Por isso concordo com algo que nem sei quem disse: “Amar é não se pertencer”, é se doar, é ficar feliz com a felicidade do outro. Indescritível! Divido-me e me reinvento pra curtir o melhor de cada lado da vida. Mas curtir a infância com eles, não posso adiar, é agora.

Comentários

Kell disse…
oi Vivi, adoro sua positividade e maneira de levar a vida! Vc eh um encanto! Bjsss

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